A Ponte do Encontro
O vento batia-me na cara. O frio gélido infiltrava-se na minha pele. O movimento das ondas fazia os meus olhos balançarem e sonharem no seu ritmo tanto harmonioso como furioso que era conduzida pelas forças sobrenaturais da Terra. A ponte que, durante a semana esteve cheia de carros, estava sozinha, despida, abandonada. As entradas Sul e Norte estavam ambas cercadas por paredes de um nevoeiro infiltrável. O meu relógio contava as horas de espera, os meus olhos reviam todos os momentos, a minha cabeça relembrava o teu olhar, o teu cheiro, o teu sabor. De repente, vi algo. Vi um magnífico vulto a sair do nevoeiro. Um vulto feminino, elegante, teu. Tentei controlar o meu coração para que este não se afogasse em esperanças. Observei-te. Imaginei-te comigo outra vez, apesar de tudo o que te fiz. Os teus sapatos vermelhos distinguiam-se no meio do nevoeiro e os teus olhos verdes causavam em mim algum mistério e ansiedade para ver a tua reacção perante mim. Realmente, tinhas feito o que eu havia pedido. Tinhas ido até ali, até mim, para me dares uma resposta. Mas também te havia pedido para não dares qualquer resposta. Queria apenas que, se quisesses ficar comigo, me beijasses ou, por outro lado, se quisesses deixar-me de vez, passasses por mim sem me dirigires qualquer palavra. A tua imagem aproximou-se. Estavas simplesmente deslumbrante. Se não estivesse já apaixonado por ti, ter-me-ia apaixonado naquele momento. O meu coração, por mais que tentasse acalmá-lo, rebentou. Foi então que vieste verdadeiramente para junto de mim. Olhaste-me nos olhos, beijaste-me profundamente e, de repente, foste embora. Deixaste-me ali. Sozinho. Na dúvida quanto ao verdadeiro destino da minha vida. Sem perceber se querias ficar comigo ou se aquele foi o beijo da despedida. Abatido pelo não entendimento do meu próprio destino, olhei para ti enquanto desaparecias no nevoeiro. E vi que tinhas escrito no teu casaco “I Love You”. Era o que estava escrito nas tuas costas. Por mais incrível que pareça, ainda fiquei mais confuso. Se me amavas, porque me tinhas dado duas respostas? Porque me tinhas dado as duas respostas que te pedira? Seria a incógnita do amor? Talvez…Mas hoje entendo a tua resposta.

Este é o meu preferido, muito bonito .Parabéns !
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